Mais uma vez, o Telefónica Open Gateway teve destaque no MWC Barcelona 2026, mostrando como as Network APIs passaram de uma promessa tecnológica para soluções reais que já geram impacto em diversas indústrias.
Durante a sessão “From network capabilities to real industry solutions”, David del Val, Portfolio Acceleration Director da Telefónica, reuniu no palco empresas de tecnologia, instituições financeiras e plataformas digitais que já utilizam as capacidades do Open Gateway para melhorar seus serviços.
Bruno Cezaretto (Itaú Unibanco), Getulio Cardoso Santos (ZapSign), Christiaan Brand (Google) e Javier Pascual (Telefónica). Todos compartilharam a mesma mensagem: as APIs de rede já estão gerando valor concreto para as empresas e estão sendo integradas em serviços utilizados por milhões de usuários.
De iniciativa a um ecossistema global
Desde seu lançamento no MWC 2023, o Open Gateway evoluiu rapidamente e se tornou um dos projetos mais ambiciosos da indústria de telecomunicações para abrir as capacidades da rede ao ecossistema digital.
Durante a keynote, foram apresentados alguns indicadores que refletem essa evolução. A iniciativa já conta com mais de 20 parceiros e mais de 60 clientes ativos, enquanto o pipeline comercial supera 300 oportunidades em desenvolvimento. Isso confirma que as soluções baseadas em capacidades de rede estão começando a fazer parte da estratégia digital de um número cada vez maior de empresas.
Em escala global, esse impulso também vem por meio da Aduna, plataforma criada por operadoras para acelerar a adoção dessas capacidades em nível internacional. O objetivo é construir um ambiente no qual desenvolvedores e empresas possam acessar APIs de rede de forma simples e implementar seus serviços em diversos mercados.
Soluções reais para empresas
A melhor forma de entender o impacto do Open Gateway é por meio dos casos de uso que já estão em produção. Durante a sessão, várias empresas compartilharam como estão utilizando essas capacidades para melhorar processos essenciais como segurança, identidade digital e confiança nas interações online.
Itaú Unibanco: identidade digital em escala para milhões de usuários
Um dos exemplos mais destacados veio do Brasil. O Itaú Unibanco, um dos maiores bancos da América Latina, explicou como integrou sinais provenientes da rede móvel em seus sistemas de segurança e verificação de identidade.
A escala da implementação demonstra o potencial dessas capacidades. Em apenas seis meses, o banco realizou mais de três milhões de validações de identidade em processos de KYC utilizando sinais de rede. Ao mesmo tempo, o sistema processa mais de cinco milhões de verificações de SIM Swap por mês, uma informação crítica para detectar possíveis tentativas de fraude associadas à troca do cartão SIM.
Para o banco, isso representa uma melhora significativa na capacidade de identificar comportamentos suspeitos e reforçar a proteção de seus clientes sem adicionar fricção à experiência digital.
Bankinter: novos sinais para combater fraudes bancárias
O Bankinter compartilhou sua experiência ao incorporar sinais de rede como parte de seus mecanismos de prevenção a fraudes na Espanha.
Como explicou Beatriz Sánchez Gordo, Fraud and Risk IT Director do banco, a informação sobre mudanças recentes no SIM do usuário foi integrada como um fator adicional nos sistemas de scoring de risco. Isso permite que determinadas operações financeiras sejam avaliadas com maior precisão antes de serem autorizadas.
O resultado é uma abordagem mais sofisticada para proteger as transações digitais. Enquanto os sistemas tradicionais se baseiam em verificar se um usuário é proprietário do dispositivo, os sinais provenientes da rede acrescentam uma camada adicional de contexto, que ajuda a identificar comportamentos potencialmente fraudulentos em tempo real.
ZapSign: reforçando a confiança na assinatura digital
Outro exemplo apresentado durante a sessão veio da ZapSign, plataforma especializada em assinatura eletrônica.
Seu CEO, Getulio Cardoso Santos, explicou como a empresa incorporou a verificação de identidade baseada em dados de rede nos processos de assinatura digital para reforçar a validade dos contratos assinados online.
Essa camada adicional de verificação permite associar cada assinatura à identidade do usuário vinculada ao seu número de celular, o que aumenta o nível de confiança no processo. Para empresas que gerenciam contratos digitais em grande escala, isso representa uma melhoria importante em rastreabilidade, conformidade regulatória e prevenção de fraudes.
Google Firebase: levando identidade verificada para milhões de aplicativos
Um dos anúncios mais relevantes da sessão foi a colaboração com o Google para integrar capacidades de verificação de identidade no ecossistema Firebase.
O Firebase é uma das plataformas de desenvolvimento mais utilizadas no mundo e está presente em milhões de aplicativos móveis. Segundo Christiaan Brand, Product Manager de Identity and Security do Google, a integração de sinais verificados provenientes da rede permitirá que desenvolvedores incorporem novos níveis de segurança em seus aplicativos de forma simples.
Isso abre a possibilidade de que milhões de desenvolvedores utilizem capacidades de rede para melhorar a autenticação e reduzir fraudes em seus aplicativos, ampliando significativamente o alcance das Network APIs no ecossistema digital global.
Titan Connect: conectividade premium impulsionada por APIs de rede
Durante a sessão também houve espaço para mostrar como essas capacidades podem ser aplicadas além da identidade digital.
Javier Pascual, Product Pre-Sales and Provision Director da Telefónica, apresentou o Titan Connect, um novo serviço de conectividade premium desenvolvido pela Telefónica Empresas. O objetivo da solução é oferecer níveis avançados de conectividade garantida para ambientes corporativos onde a qualidade da rede é crítica.
Um dos elementos centrais do serviço é o uso da API Quality on Demand, que permite ajustar dinamicamente as condições da rede de acordo com as necessidades do serviço. Isso abre novas possibilidades para setores como indústria, logística ou operações remotas, nos quais aplicações como sensores, drones ou câmeras exigem conectividade confiável e estável para funcionar corretamente.
Nesse contexto, as soluções baseadas em capacidades de rede permitem transformar a conectividade tradicional em um serviço adaptável e programável, capaz de responder às necessidades específicas de cada aplicação.
Preparando as redes para a era dos agentes de IA
Para encerrar a sessão, David del Val compartilhou uma reflexão sobre o papel que as Network APIs terão na próxima geração de serviços digitais impulsionados por agentes de inteligência artificial.
Em um cenário no qual sistemas baseados em IA serão capazes de tomar decisões de forma autônoma e coordenar múltiplos serviços digitais, os sinais provenientes da rede se tornarão uma fonte fundamental de contexto.
Informações sobre identidade, fraude ou condições de conectividade poderão ser utilizadas por esses agentes para avaliar riscos, ativar medidas de segurança ou adaptar o comportamento dos serviços em tempo real.
Esse novo paradigma reforça a ideia central que marcou toda a sessão: as redes já não são apenas infraestruturas de conectividade, mas plataformas inteligentes capazes de gerar valor direto para aplicações e serviços digitais.
Uma nova economia baseada nas capacidades de rede
A sessão deixou claro que a transição de “network capabilities” para “real industry solutions” já está em andamento.
Da prevenção a fraudes no setor bancário à assinatura digital, passando pela identidade online e pela conectividade empresarial avançada, cada vez mais empresas estão incorporando capacidades de rede em seus produtos e serviços.
Com o crescimento do ecossistema Open Gateway e o impulso global de plataformas como Aduna, as soluções baseadas em rede estão se consolidando como uma nova camada de inovação para a economia digital, permitindo que empresas criem serviços mais seguros, inteligentes e melhor conectados.